Arquivos para March, 2010

Dourado derrotou os xiitas gays

E termina mais um Big Brother Brasil… a décima edição do programa cuja fórmula incessantemente repetida de gincana de resistência física e mental – com doses generosas de exibicionismo – já se desgastou, apesar da ânsia de renovação demonstrada pela TV[bb] Globo.

Há muito desencanei de Big Brother – fui fã desse tipo de reality-show durante um bom tempo, mas minha mente cansada do non-sense televisivo pediu-me entretenimentos mais edificantes. Não recrimino quem assiste ao programa, e ainda acredito que o BBB é um dos mais sensacionais cases publicitários da mídia brasileira. Anos atrás, em uma entrevista, o diretor Boninho citou o BBB como uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. Especulou-se, ao longo das edições, sobre as cotas milionárias pagas pelos patrocinadores: mesmo que alguma edição do reality-show tivesse sido um fracasso de audiência, os valores pagos com cotas antecipadas de publicidade cobriam, com sobra, os gastos de produção antes mesmo de a temporada começar. Assim, a Globo tem todos os motivos do mundo para insistir na exibição do Big Brother Brasil, malgrado as reclamações de intelectuais e críticos da televisão, que merecidamente torcem o nariz para o zoológico humano exibido 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante três longos meses de verão.

Não tenho muito o que comentar desta edição, que mal acompanhei. Foi engraçado ver um dos meus contatos virtuais de Twitter e Orkut, a publicitária Tessália Serighelli, falando, brigando, xingando e sassaricando debaixo de um edredon. Foi curioso saber que a professora Elenita é amiga de uma colega da minha esposa. Foi divertido ver a ex-policial baiana Anamara correndo atrás do finalista Cadu. Diversão reciclada e requentada, tal como as telenovelas, que há quarenta anos não mudam.

Só há um aspecto particular desta edição que me chamou bastante a atenção. Apregoada como o “BBB da diversidade”, esta décima edição reuniu uma fauna de homossexuais como nunca antes. O maquiador e drag-queen Di César, a jornalista Angélica e o emo Serginho fizeram a alegria da militância gay. Di César, no início do programa, era considerado o favorito para ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão. Tudo parecia armado para um grande triunfo gay quando, para surpresa dos telespectadores, dois ex-BBBs tiveram a chance de disputar novamente o reality-show nesta edição. Um deles se chama Marcelo Dourado.

Na quarta edição do programa, Dourado teve uma participação polêmica. Era truculento e baixo (para se vingar de quem tomava seu iogurte escondido à noite, chegou a enfiar catarro dentro do laticínio). Saiu do programa semanas antes da final, e ficaria detestado e esquecido do público por um bom tempo.

Resgatado das cinzas do ostracismo, Dourado roubou a cena no BBB 10. Odiado por muitos telespectadores por seu machismo e suas maneiras estúpidas, ele também angariou a simpatia de muitos outros telespectadores do reality-show, exatamente por servir de antítese ao ativismo gay predominante na programação da TV Globo (e, em particular, neste Big Brother Brasil). Num reality-show que deveria celebrar a diversidade sexual, Dourado materializou uma forte reação conservadora vinda de uma parte da sociedade (os fãs de BBB) que, supunha-se, deveria ser mais liberal.

A provável coroação de Marcelo Dourado como vencedor desta edição do Big Brother Brasil reforça a tese (discutida e polemizada mesmo nos meios GLSBT) de que o ativismo gay provoca maior reação homofóbica. Indivíduos homoafetivos de conduta mais discreta tendem a rechaçar a super-exposição e os movimentos de autoafirmação gay. Os ativistas radicais, muitas vezes, querem generalizar o conceito de homofobia – para eles, homofóbicos não são apenas os que têm aversão total aos homossexuais, mas também aqueles que, embora não discriminem os indivíduos, apenas não gostam do ativismo e da excessiva divulgação de valores gays. A polêmica é tamanha entre os gays que, não raro, os ativistas acusam os homoafetivos de perfil mais discreto de serem igualmente homofóbicos.

Certamente esta é uma dura derrota midiática dos xiitas gays. Mas, longe de ser uma vitória da homofobia, o fenômeno Marcelo Dourado fará os ativistas GLSBT repensarem suas estratégias e suas formas de mobilização junto à opinião pública. Para alguma coisa, enfim, serviu o BBB 10.

Postado por Alexandre Sena on March 30th, 2010 16 Comentários

You and Me – Cranberries

Uma das inúmeras obras primas de Dolores O’Riordan e companhia, dedicada a mim pela Miss Charmosa, ardorosa fã do grupo irlandês. Degustem…

Postado por Alexandre Sena on March 25th, 2010 Comente!

Odeio Isabella Nardoni

Calma, não sou esse monstro que vocêss estão pensando. Quando digo que odeio Isabella Nardoni, não me refiro à doce menina que nem sequer conheci, morta em março de 2008. Refiro-me, sim, ao odioso espetáculo sensacionalista montado pela mídia brasileira. O mesmo sensacionalismo reinante na ocasião da morte da garota volta à carga agora, na semana do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte de Isabella.

Não cabe aqui julgar se o casal é inocente ou culpado – segundo muitos analistas do meio jurídico, a questão agora é julgar se há certeza ou não quanto à culpa dos acusados, e aí provavelmente valerrá o princípio do benefício da dúvida (in dubio pro reo). O que me incomoda nesse episódio é o papel invasivo da imprensa, que mais uma vez se imbuiu do espírito vingativo de um país que não acredita na própria Justiça, e se prestou a fazer condenação antecipada dos réus, sob o pretexto de satisfazer os anseios da dita “opinião pública”.

Foi com esse mesmo espírito carniceiro, de linchamento público, por meio de repetida e exaustiva exposição nos meios de comunicação de massa, que a imprensa brasileira promove, de tempos em tempos, verdadeiros massacres morais contra presumidos inocentes. O sempre lembrado caso da Escola Base, de 1994, é o episódio mais emblemático. Mas não foi o único e nem foi o último. Independentemente do resultado do júri no caso Nardoni, este foi mais um caso em que a imprensa julgou primeiro que a Justiça.

Postado por Alexandre Sena on March 23rd, 2010 7 Comentários

Royalties

Sobre a polêmica da emenda Ibsen Pinheiro, que altera a distribuição dos royalties pela exploração de petróleo na bacia maritma brasileira, só tenho uma coisa a dizer: o petróleo é do Brasil. Rio de Janeiro e Espírito Santo fazem uma guerra inútil contra o restante da federação. Se a economia desses estados é tão dependente dos royalties, deve-se à incompetência dos governos estaduais em criar novas fontes geradoras de recursos.

A mídia do Rio de Janeiro, capitaneada pela Globo, tem feito um estardalhaço com essa história, porque também depende indiretamente desses recursos. As alegações são as mais estapafúrdias – no afã de conseguir comoção popular, chegaram a dizer que a Olimpíada de 2016 estaria comprometida sem a manutenção dos royalties. Pura balela: como explica o professor Cláudio Paiva, da Unesp, em entrevista à BBC, a dinheirama oriunda dos royalties não se reflete, necessariamente, em melhorias para a população dos municípios produtores de petróleo.

A pataquada carioca teve seu auge na manifestação de quarta-feira, que reuniu 150 mil pessoas e contou com participação da Xuxa (!) e outras figuras populares da mídia. A manifestação promovida pelo governo do Rio mereceu irônicas reações do deputado gaúcho Ibsen Pinheiro, autor da emenda que altera as distribuições dos royalties. Como ele bem lembrou, o Rio fez protesto até contra a campanha de vacinação promovida por Oswaldo Cruz, no início do século passado.

Postado por Alexandre Sena on March 20th, 2010 11 Comentários

Ayahuasca

O assassinato do cartunista Glauco, amplamente divulgado pela mídia nos ?ltimos dias, chamou a atenção para a tal da ayahuasca, bebida indígena feita com a estranha mistura do cipó caapi (ou douradinho) com folhas do arbusto Psycotria viridis, popularmente conhecido como chacrona. A ayahuasca nada mais é que o famoso chá do Santo Daime, utilizado pelos seguidores da célebre doutrina surgida no Acre, no início do século passado.

Sobre o Santo Daime, informa a Wikipedia: “Consiste em uma doutrina espiritualista que tem como base o uso sacramental de uma bebida enteógena (para os cientistas, uma droga psicodélica), a ayahuasca, com o fim de catalisar processos interiores e espirituais sempre com o objetivo de cura e bem estar do indivíduo. (…) Segundo seus adeptos, a doutrina do Santo Daime é uma missão espiritual cristã , que encaminha os seus praticantes ao perdão e a regeneração do seu ser. Isto acontece porque o daimista, ao participar dos cultos e ingerir o Santo Daime inicia um processo de auto conhecimento, que visa corrigir os defeitos e melhorar-se sempre, para que possa um dia alcançar a perfeição.

Ainda não há nenhuma evidência de que Cadu, o assassino de Glauco, estivesse sob efeito da ayahuasca – segundo relatos, o criminoso é um jovem problemático que vivia envolvido com drogas e aparentava estar sofrendo de alucinações quando cometeu o crime. Mas não deixa de ser tragicamente irônico o fato de o cartunista liderar uma denominação religiosa, a Céu de Maria, ligada ao Santo Daime, cujos cultos Cadu chegou a frequentar.

Sobre Glauco, lembro bem de algumas de suas tirinhas, como o hilário Casal Neuras. E a revista Geraldão, com seu personagem mais famoso, marcou o início da minha adolescência no final da década de 80 – a revista, juntamente com Mad e Chiclete com Banana (esta última também com participação de Glauco), divertia os jovens ociosos daquela época.

Postado por Alexandre Sena on March 18th, 2010 3 Comentários

20 anos sem Zacarias

Parece que foi ontem que se partiu Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias do extinto grupo Os Trapalhões, que marcou o humor na televisão brasileira nas décadas de 70 e 80. Lembro-me do susto que tomei ao ouvir o plantão de notícias em 18 de março de 1990, anunciando a morte de um dos comediantes mais queridos pelas crianças da época.

Nascido em Sete Lagoas, MG, em 1933, Zacarias fez carreira no rádio em Minas Gerais, antes de estrear na TV[bb] Itacalomi, de Belo Horizonte, em 1963. Depois, trabalhou na TV Excelsior do Rio de Janeiro até se integrar ao grupo Os Trapalhões, em 1974, na extinta Rede Tupi. De 1977 a 1989, o programa dos Trapalhões liderava a audiência nos domingos à noite na Globo.

Hoje ele (assim como o companheiro de grupo Mussum, falecido em 1994) é objeto de culto saudosista na Internet – basta ver, por exemplo, o sem número de vídeos postados no YouTube, como este hilário quadro abaixo:

Postado por Alexandre Sena on March 18th, 2010 Comente!

Blogs “históricos”

Do nada, lembrei-me de alguns blogs que eu acessava bastante nos idos de 2001 e 2002… muitos deles saíram do ar, mas outros permanecem firmes e fortes na ativa.

Nunca tinha ouvido falar em blogs até uma célebre matéria publicada em um extinto hotsite do Estadão, chamado Magazine (uma revista eletrônica de variedades e cultura). A matéria citava vários blogs, entre eles o da Fer Guimarães Rosa, o Chatterbox, e o da Flávia Durante, o Blah Blah Blog. Posso dizer que esses foram os primeiros blogs que conheci, ambos de jornalistas.

O Chatterbox continua com a mesma cara até hoje, mantém no ar posts desde 2000 (leia, por exemplo, este e este outro post sobre os atentados nos EUA em 2001). Via de regra, Fer posta ensaios, idéias, coisas intimistas e fotos da paisagem da região dos Estados Unidos onde ela reside.

O blog da Flávia Durante tinha um leiaute bem mais elaborado, mas entre idas e vindas de servidores, sistemas e fases da vida, ela optou por manter seu blog pessoal com um design mais minimalista. Até hoje ela mantém mais ou menos a linha original de postagens – como é jornalista, DJ e produtora musical em Santos, Flávia sempre postou coisas relacionadas a música[bb].

Há dois blogs que conheci posteriormente cujos autores estão há mais tempo na ativa. São os blogueiros Neno Nox, com o seu Por Um Punhado de Pixels, e Marcus Amorim, mais conhecido como Zamorim.

Também santista, o webdesigner e fotógrafo Nemo Nox costumeiramente é apontado como sendo o primeiro internauta brasileiro a publicar um blog em português, à época em que ele passou pela experiência de morar em São Paulo — o realmente histórico Diário da Megalópole, de 1998 (época em que eu, mal e porcamente, ainda aprendia a mexer com o Geocities). Um mês antes, a gaúcha Viviane Menezes havia lançado o blog White Noises (não mais disponível online), com posts em inglês. Em entrevistas, Nemo Nox sempre cita Viviane como sendo, de fato, a primeira blogueira brasileira. Não obstante, o Por Um Punhado de Pixels de Nemo Nox até hoje é referência de bom gosto, com resenhas de livros, álbuns musicais, filmes e DVDs de altíssimo nível.

Analista de sistemas e patinador artístico em Brasília, Marcus Amorim tornou-se há tempos um slow blogger, blogueiro eventual que passa meses sem postar. Ainda assim, eu o guardo como referência local — salvo equívoco, ele é o grande pioneiro da blogosfera brasiliense. Lembro bem do engajamento político de seus posts na dramática eleição de 2002 em Brasília, quando o PT triunfou no plano federal, mas naufragou localmente. Já há um bom tempo, Zamorim desestressou-se com a política, e seu blog vem exibindo recentemente posts sobre assuntos mais leves, como dança, teatro e futebol.

Mais trêss blogs sempre me vêm à memória quando me lembro dos meus primeiros anos como blogueiro e leitor de blogs: InternETC, da jornalista carioca Cora R?nai; Let’s Vamos, do designer paulistano Danilo Siqueira; e Magiozal, do publicitário paulistano Marcelus Zalotti.

Cora Rónai é jornalista especializada em tecnologia e há anos escreve sobre o assunto para O Globo. Não obstante a adesão do tradicional jornal carioca ao mundo dos blogs, Cora manteve seu espaço particular na Internet. Seu blog, por incrível que pareça, mantém até hoje o mesmo leiaute de 2001. Se antes, Cora comentava com mais voracidade assuntos do noticiário e da atualidade, hoje ela se mostra uma grande aficcionada por câmeras digitais e se ocupa bastante em abastecer o blog com fotografias tiradas de seus gadgets.

Um dos blogueiros mais criativos que já acompanhei, Danilo Siqueira usa e abusa de posts sobre fotografia, produção gráfica e publicidade. O leiaute mudou, o blog também, mas Let’s Vamos continua sendo uma boa fonte de inspiração para profissionais da área de criação.

Magiozal também me inspirou bastante em minhas postagens no início da década de 2000. Tive o prazer de conhecer o blogueiro Marcelus Zalotti na festa oitentista Trash 80s, numa boate paulistana em 2004. Embora ele tem ficado um tempo afastado do blog (que inclusive mudou de endereço certa vez), suas postagens no Blogspot tem se mantido ativas nos últimos meses. É um “dinossauro” que se mantém vivo, para o bem da blogosfera brasileira.

Postado por Alexandre Sena on March 17th, 2010 5 Comentários

Só pra lembrar…

Participo de um monte de redes sociais. Quem quiser me adicionar como contato em qualquer uma delas, pode consultar a lista de links na coluna à direita.

Postado por Alexandre Sena on March 16th, 2010 Comente!

Meu primeiro post…

Pois é… estou de volta com meu blog! Para marcar esta nova fase, coloquei um “novo” no nome dele. Agora este é o Novo Blog do Sena.

Após um período de “dormência”, com postagens esporádicas durante o ano de 2009 (o chamado slow blogging), resolvi retomar a vida ativa de blogueiro. E espero, aos poucos, reconquistar a audiência dos internautas que há anos acompanham o meu site.

Além do novo leiaute (vocês gostaram?), a grande novidade é que os posts agora são gerados por um novo CMS (sistema de gerenciamento de conteúdo). Troquei o WordPress pelo b2Evolution que, dizem, é bem mais prático para gerenciar múltiplos blogs em um mesmo servidor.

UPDATE (17/6/2010): Voltei a usar o WordPress.

Como eu havia informado ainda em novembro do ano passado, nesta nova fase do blog, volto a postar crônicas sobre meu cotidiano. Tomei essa decisão após mostrar postagens antigas, anteriores a 2005, para minha esposa, que me incentivou a voltar a produzir os divertidos textos que marcaram época no meu blog.

Como n?o poderia deixar de ser, também trarei comentários sobre o noticiário e assuntos da atualidade – um ano com eleições e Copa do Mundo é um prato cheio para blogueiros e jornalistas.

E, quem diria, também resolvi aderir à monetização. Sim, vocês lerão aqui, em breve, posts pagos e assuntos definidos pelo hype do momento. Afinal, não é pecado querer ganhar dinheiro com blogs.

Esta é a primeira postagem de muitas que farei no decorrer deste ano de 2010. Prometo manter este blog bem vivo, com postagens diárias.

Sejam bem-vindos, então, ao Novo Blog do Sena!

Postado por Alexandre Sena on March 15th, 2010 6 Comentários

 

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