A quase rainha da cocada preta
Olá, Alexandre. Tudo bem?
Sou jornalista em Curitiba e busco uma colocação no mercado de trabalho.
Acesso seu site há algum tempo e, apesar de não saber exatamente como funciona a divulgação de vagas, tomo a liberdade de te pedir uma força.
Fiz um texto cujo qual eu pretendia colocar em um jornal. Porém, ao conhecer o exorbitante preço para fazê-lo, mudei de idéia.
Então pensei que de repente você poderia publicá-lo em seu site.
Sei que o foco são os próprios jornalistas, mas acredito que exista visitação também de empresas, mesmo que esporádicas.
Seria possível?
Por antecedência envio o anexo, caso tenha resposta positiva. Neste caso, fique à vontade para publicá-lo.
A idéia é deixar sem assinatura mesmo, para poupar-me de eventuais comentários desnecessários.
Parabéns pelo site. É uma excelente iniciativa e pra mim tem sido um fio de esperança nesse momento desagradável.
Abraço!
“O sim muda a sua vida. SIM, aceito me casar com você. SIM, vamos patrocinar a sua peça. SIM, a Camila Pitanga deu o número do celular dela. O SIM é transformador.”
A reflexão é da escritora Martha Medeiros, mas me atrevo a dizer que o texto faz parte de uma realidade pouco vivenciada por nós. A não ser que você seja de outro planeta eesteja aqui só de passagem. Neste caso, desculpa aí.
Há quase cinco anos, quando me formei em jornalismo, eu pensava diferente. Achava que bonito mesmo era ter no currículo um monte experiência. Quanto mais, melhor. Então aos poucos fui descrevendo nele todas as minhas andanças.
Em pouco tempo acho que já fiz muita coisa. Atirei-me como uma adolescente apaixonada no mundo do jornalismo e com isso consegui alguns méritos. Já trabalhei como repórter em três emissoras de televisão. Fiz assessoria de imprensa e comunicação. Trabalhei em rádio, revista e jornal, fiz tradução, pós-graduação, especialização e outros ãos. Já fui até correspondente internacional e com pouco tempo de carreira cheguei a ministrar palestras sobre reportagens para TV e sobre a “rotina” de um jornalista fora do país. Escrevi um livro, montei blog na internet, dei autógrafo na rua, tirei foto com o Zé do Caixão e quase fui eleita a Rainha da Cocada Preta.
Só depois de colecionar minha experiência em uma folha de papel percebi que o queria mesmo era ter – por um período mais vasto – o nome de uma mesma empresa carimbada no meu portfólio. Sem, claro, desmerecer, todas as humildes conquistas que me fizeram chegar até aqui.
Mas, ultimamente, só o que tenho recebido é NÃO. NÃO precisamos mais dos seus serviços. NÃO há vagas no momento. NÃO tá fácil pra ninguém.
O NÃO é um inútil desgracido. NÃO serve pra nada. Certo? ERRADO.
Pra mim o não funciona como uma turbina. Ele acelera minha ansiedade e me faz bater ainda mais naquela porta que obstinada a não se abrir. Para uns, insistência. Para mim, persistência.
Pena que as coisas NÃO andam sempre como a gente quer. Veja minha situação: No fim do ano a meta é me casar. Já foi tudo agendado. Mas por infortúnio do destino, o pretendido está na mesma situação que essa que vos escreve: desempregado. Sou forte o suficiente para suportar um possível adiamento, mas orgulhosa o bastante para desistir dos meus planos.
Aí eu vou vivendo a vidinha, torcendo pra tudo dar certo e pra esse ser só um daqueles momentos em que a gente tem que ouvir da mãe “vai passar, minha filha”. Então nas horas vagas abraço árvores, olho para o sol quando ele faz visita à Curitiba e rezo, rezo muito, pedindo a Deus um SIM. SIM, nós temos vagas. SIM, você é o que procuramos. SIM, você foi selecionada.
O meu portfólio tá lá, guardado e rabiscado com tudo o que tem direito. Mas o que eu NUNCA imaginei era que essa história seria justamente o meu melhor currículo.
Não sei se você entendeu, mas… SIM, eu quero um emprego. SEMPRE.
