Arquivos para September, 2010

A quase rainha da cocada preta

Olá, Alexandre. Tudo bem?

Sou jornalista em Curitiba e busco uma colocação no mercado de trabalho.

Acesso seu site há algum tempo e, apesar de não saber exatamente como funciona a divulgação de vagas, tomo a liberdade de te pedir uma força.

Fiz um texto cujo qual eu pretendia colocar em um jornal. Porém, ao conhecer o exorbitante preço para fazê-lo, mudei de idéia.

Então pensei que de repente você poderia publicá-lo em seu site.

Sei que o foco são os próprios jornalistas, mas acredito que exista visitação também de empresas, mesmo que esporádicas.

Seria possível?

Por antecedência envio o anexo, caso tenha resposta positiva. Neste caso, fique à vontade para publicá-lo.

A idéia é deixar sem assinatura mesmo, para poupar-me de eventuais comentários desnecessários.

Parabéns pelo site. É uma excelente iniciativa e pra mim tem sido um fio de esperança nesse momento desagradável.

Abraço!

 

“O sim muda a sua vida. SIM, aceito me casar com você. SIM, vamos patrocinar a sua peça. SIM, a Camila Pitanga deu o número do celular dela. O SIM é transformador.”

A reflexão é da escritora Martha Medeiros, mas me atrevo a dizer que o texto faz parte de uma realidade pouco vivenciada por nós. A não ser que você seja de outro planeta eesteja aqui só de passagem. Neste caso, desculpa aí.

Há quase cinco anos, quando me formei em jornalismo, eu pensava diferente. Achava que bonito mesmo era ter no currículo um monte experiência. Quanto mais, melhor. Então aos poucos fui descrevendo nele todas as minhas andanças.

Em pouco tempo acho que já fiz muita coisa. Atirei-me como uma adolescente apaixonada no mundo do jornalismo e com isso consegui alguns méritos. Já trabalhei como repórter em três emissoras de televisão. Fiz assessoria de imprensa e comunicação. Trabalhei em rádio, revista e jornal, fiz tradução, pós-graduação, especialização e outros ãos. Já fui até correspondente internacional e com pouco tempo de carreira cheguei a ministrar palestras sobre reportagens para TV[bb] e sobre a “rotina” de um jornalista fora do país. Escrevi um livro, montei blog na internet, dei autógrafo na rua, tirei foto com o Zé do Caixão e quase fui eleita a Rainha da Cocada Preta.

Só depois de colecionar minha experiência em uma folha de papel percebi que o queria mesmo era ter – por um período mais vasto – o nome de uma mesma empresa carimbada no meu portfólio. Sem, claro, desmerecer, todas as humildes conquistas que me fizeram chegar até aqui.

Mas, ultimamente, só o que tenho recebido é NÃO. NÃO precisamos mais dos seus serviços. NÃO há vagas no momento. NÃO tá fácil pra ninguém.

O NÃO é um inútil desgracido. NÃO serve pra nada. Certo? ERRADO.

Pra mim o não funciona como uma turbina. Ele acelera minha ansiedade e me faz bater ainda mais naquela porta que obstinada a não se abrir. Para uns, insistência. Para mim, persistência.

Pena que as coisas NÃO andam sempre como a gente quer. Veja minha situação: No fim do ano a meta é me casar. Já foi tudo agendado. Mas por infortúnio do destino, o pretendido está na mesma situação que essa que vos escreve: desempregado. Sou forte o suficiente para suportar um possível adiamento, mas orgulhosa o bastante para desistir dos meus planos.

Aí eu vou vivendo a vidinha, torcendo pra tudo dar certo e pra esse ser só um daqueles momentos em que a gente tem que ouvir da mãe “vai passar, minha filha”. Então nas horas vagas abraço árvores, olho para o sol quando ele faz visita à Curitiba e rezo, rezo muito, pedindo a Deus um SIM. SIM, nós temos vagas. SIM, você é o que procuramos. SIM, você foi selecionada.

O meu portfólio tá lá, guardado e rabiscado com tudo o que tem direito. Mas o que eu NUNCA imaginei era que essa história seria justamente o meu melhor currículo.

Não sei se você entendeu, mas… SIM, eu quero um emprego. SEMPRE.

ajornalistaquevoceprocura@hotmail.com

Postado por Alexandre Sena on September 23rd, 2010 10 Comentários

Pressão pelo segundo turno

A julgar pelas denúncias e desdobramentos das últimas semanas, setores políticos e da mídia que apoiam a candidatura de José Serra vão partir para o tudo ou nada, no sentido de levar a eleição presidencial ao segundo turno.

O caso Erenice Guerra e a demora do governo Lula em apresentar uma resposta convincente (a ministra deveria ter deixado o cargo bem antes, para poupar o governo e a candidata Dilma Rousseff de um desgaste maior) injetaram ânimo à até então desgastada candidatura tucana. Os serristas não vão economizar esforços para forçar um segundo turno, a despeito do cenário descrito em diversas pesquisas eleitorais, que preveem vitória de Dilma ainda em primeiro turno.

Guardada as devidas cautelas, o desejo tucano de levar o pleito presidencial ao segundo turno não é impossível de acontecer. A pesquisa menos otimista para Dilma mostra a candidata com 51% dos votos válidos. Seria necessário retirar apenas pouco mais de 1% dos votos dilmistas para levar a disputa para o segundo turno. E segundo turno é outra história.

Postado por Alexandre Sena on September 18th, 2010 Comente!

Dilma se saiu melhor no debate

No debate dos presidenciáveis exibido neste domingo pela RedeTV! uma coisa ficou clara para mim: nenhum dos quatro principais candidatos está devidamente preparado para ser presidente do Brasil. Feita essa constatação, por eliminação, acredito que Dilma Rousseff foi a vencedora do debate.

Para parte do eleitorado, há uma série de restrições, ou ao menos indagações, a respeito da capacidade da candidata petista de fazer um bom governo, de preferência um governo distante do viés populista de seu mentor Lula — restrições essas infladas pelas dúvidas quanto ao perfil ético do PT pós-mensalão. Felizmente, para Dilma, essa parcela do eleitorado está cada vez menor, a julgar pelas pesquisas de opinião que preveem a fatura liquidada no primeiro turno: Dilma teria mais da metade dos votos válidos na eleição de 3 de outubro.

Dilma e seus assessores sabem da real possibilidade de vencer a eleição ainda em primeiro turno. Ficou clara a estratégia petista de evitar uma ascensão de José Serra neste debate — as insistentes acusações do tucano à candidata governista, no tocante ao caso da violação do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra foram eficientemente minimizadas pelas respostas evasivas de Dilma. Serra teve pouca competência em explorar essa questão (eleitoreira) no debate, e nem a ajuda de Marina Silva, a candidata do Partido Verde, que também bateu nessa tecla, surtiu efeito. Para quem ainda acreditava numa virada de Serra na reta final, o debate evidenciou que o caso da quebra de sigilo na Receita Federal não terá maiores consequências para o resultado do pleito.

Talvez o momento mais desconfortável para Serra tenha sido uma pergunta feita por uma jornalista, que questionou o que ele realmente achava do presidente Lula. O candidato[bb] do PSDB se desdobrou para não criticar, nem elogiar Lula. É uma postura que só traz perdas eleitorais para Serra: ele não conquista o eleitorado lulista e ainda perde votos daqueles que torcem o nariz para o ex-metalúrgico, que certamente esperavam uma postura mais ofensiva de um candidato de oposição.

Tenho a lamentar que este debate foi menos profícuo no campo das ideias que o primeiro debate televisivo, exibido pela Band. Embora ainda mantenha minha intenção de voto em Marina Silva, confesso que me decepcionei um pouco com suas performances nesses dois debates. Pareceu-me insegura em alguns pontos, com uma postura confusa e dúbia sobre questões do governo Lula, da qual já fez parte. Com o discurso ambiental e ético, Marina tira alguns votos de Serra, mas não consegue empolgar o eleitorado lulista, o que favorece cada vez mais Dilma Rousseff.

Quanto ao outro candidato, Plínio de Arruda Sampaio, trata-se de um excelente provocador. Faria mais sucesso no parlamento do que na presidência da República. Ou, quiçá, poderia participar de algum programa humorístico.

Falarei mais sobre política na próxima edição do meu podcast, que deve ir ao ar nesta quarta-feira.

Postado por Alexandre Sena on September 13th, 2010 1 Comentário

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Postado por Alexandre Sena on September 1st, 2010 Comente!

 

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