21.04.2010

Brasília, 50 anos

Minha singela homenagem à minha cidade natal, centro das atenções de todo o Brasil…

Brasília
Plebe Rude

Capital da esperança
(Brasília tem luz, Brasília tem carros)
Asas e eixos do Brasil
(Brasília tem mortes, tem até baratas)
Longe do mar, da poluição
(Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas)
mas um fim que ninguém previu
(Árvores nos eixos a polícia montada)
(Brasília), Brasília
Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
(Muitos porteiros e pessoas normais)
As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns…)
Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns…)
Oh.. O concreto já rachou!
Brasília….
Brasília tem luz, Brasília tem carros
(Carros pretos nos colégios)
Brasília tem mortes, tem até baratas
(em tráfego linear)
Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas
(Servidores Públicos ali)
Árvores nos eixos a polícia montada
(polindo chapas oficiais)
Brasília, (Brasília)
Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
(Muitos porteiros e pessoas normais)
As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns…)
Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns…)
Oh… O concreto já rachou! rachou! rachou! rachou!
Rachou! O concreto já rachou!
Brasília….
Brasília…. Brasilia!
As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
(Utopia na mente de alguns…)
Os prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla
(Utopia na mente de alguns…)
Os comércios só vendem
e os porteiros só olham
E essas pessoas elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! (Brasília…) Nada! (Brasília…)
Nada! (Brasília…) Nada! (Brasília…)
 

Um comentário para “Brasília, 50 anos”

  1. Almandrade diz:
    BRAS?LIA 50 ANOS DA CAPITAL DO PODER

    (*) Almandrade

    ?Nenhum rosto ? t?o surrealista
    quanto o verdadeiro rosto de uma cidade? (Walter Benjamin)

    Cinq?enta anos depois, a bossa nova da arquitetura e do urbanismo,
    mostra suas rugas e os sintomas de um envelhecimento precoce. O
    s?mbolo maior da modernidade e da ideologia desenvolvimentista que
    projetou o Brasil como um pa?s novo, revela o que ? a cidade moderna,
    o lugar da afirma??o e do poder da m?quina e das restri??es do dom?nio
    p?blico. Com uma malha rodovi?ria e amplos espa?os que ultrapassam a
    escala humana, Bras?lia foi concebida nas pranchetas de Oscar Niemeyer
    e L?cio Costa sob a orienta??o do presidente Juscelino Kubitschek para
    responder ao desenvolvimento industrial, em particular, a ind?stria
    automobil?stica em ascens?o, e hoje representa o fim do sonho e das
    ilus?es desenvolvimentistas.

    Sem d?vida, Bras?lia ? uma das mais importantes contribui??es
    brasileira para a arte do s?culo XX, juntamente com a Bossa Nova, a
    Arte Concreta e o Cinema Novo, que resiste aos esc?ndalos pol?ticos
    que assolam a capital. As estruturas de suas constru??es permanecem
    intactas, o concreto armado parece eterno. Uma cidade cartesiana
    implantada no interior do pa?s, sob o cerrado, distante do litoral,
    uma aventura quase que imposs?vel. Nas palavras do critico de arte
    M?rio Pedrosa, “se Bras?lia foi uma imprud?ncia, viva a imprud?ncia”.
    A nova capital era uma resposta ? cr?tica de um Brasil litoral, de
    costas para o seu interior, desde os tempos do Marques de Pombal. Esta
    experi?ncia urban?stica foi estimulada por uma op??o de
    desenvolvimento que se desejava para o Brasil o qual estamos sofrendo
    suas conseq??ncias.

    Mais do que uma simples cidade, Bras?lia ? um discurso, s?mbolo de uma
    nova situa??o que direcionou a vida e a economia do pa?s. Uma cidade
    com uma arquitetura governamental, monumental e moderna. O tran?ado
    urbano e a arquitetura arte criaram a cidade como uma realidade
    moderna, imagem e s?mbolo do Brasil industrial, pa?s da tecnologia e
    da democracia para os que disp?em de meios mecanizados para dominar os
    grandes espa?os vazios. A cidade que arquiteto franc?s, nascido na
    Su??a e mestre dos arquitetos brasileiros, Le Corbusier n?o teve a
    oportunidade e o privil?gio de construir. O centro principal e
    simb?lico da capital do poder ? a pra?a dos tr?s poderes, na
    organiza??o do espa?o as hierarquias e os interesses de classe n?o
    ficam ausentes.

    Falar de Bras?lia n?o se pode deixar de lado as manobras processadas
    na economia e da pol?tica dos anos de 1950. ?o avan?o dos 50 anos em 5
    anos? meta do governo JK. A sede de democracia, agita??es, debates
    inflamados e o avan?o da ind?stria. A popula??o vivia o impacto da
    confian?a no futuro. A nova capital refletia uma sociedade otimista
    disposta a realizar utopias. Bras?lia foi pensada para ser um centro
    pol?tico, cultural e administrativo para o desenvolvimento do
    Centro-Oeste, mas n?o contava com o crescimento desordenado e
    populacional, que acabou comprometendo o plano urban?stico de Lucio
    Costa e trouxe os problemas e os desastres que assolam os grandes
    centros urbanos. Com o regime militar, implantado em 1964, a cidade
    criada em um per?odo raro de democracia acreditando que a sua
    localiza??o no interior estaria mais protegida de ataques militares,
    foi associada ao totalitarismo, mas resistiu com seu chame como uma
    express?o art?stica que colocou o Brasil internacionalmente num
    patamar de respeito.

    (*) Almandrade ? artista pl?stico, poeta e arquiteto em Salvador, BA.

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