Uma crônica hospitalar
Crônica escrita pela Gui, um exercício de faculdade, com todas as licenças poéticas (o “enclenque e setemesinha” é uma homenagem natural ao grande João Cabral de Melo Neto, autor de Morte e Vida Severina):
Parindo na entrada do hospital
Uma mulher branca, alta e com uma barriga enorme, deitada em uma maca, já perto da entrada do hospital e sendo aparada pelos enfermeiros, gritava pavorosamente. Sacodia as pernas e gritava pavorosamente.
As pessoas que ali passavam, assistiam à cena e ficavam estarrecidos ao ver a mulher branca, alta e de barriga enorme que gritava pavorosamente.
Uma mulher bem vestida e com aparência de madame que gritava pavorosamente devido às dores das contrações que antecedem o parto, um grande escândalo em frente ao hospital.
Muitas pessoas se aglutinaram no local e acompanhavam aquela mulher branca, alta, forte e com aparência de madame que gritava pavorosamente.
Em um dado momento, os enfermeiros pararam de empurrar a maca e tiraram as roupas da mulher branca, alta, forte, de barriga enorme e com aparência de madame que gritava pavorosamente.
O parto ocorreu ali mesmo na entrada do hospital. A mulher deitada na maca, que gritava pavorosamente, fica em silêncio e logo em seguida vem o som de um chorinho bem ralinho.
A mulher branca, alta e com aparência de madame fica quieta e observa em seus braços a sua cria, sua formosura, uma criança enclenque e setemesinha. As pessoas aplaudiram com muito entusiasmo aquela cena tão comovente e inusitada, e saíram do local aos poucos.
A mulher branca, alta e com aparência de madame, deitada na maca com a sua cria em seus braços, sorriu, porque tem do novo a surpresa e a alegria, e belo como a coisa nova. É um menino magro, de muito peso não é. É uma criança pálida a sua cria.
Passada a emergência, os enfermeiros levam a mulher branca, alta e com aparência de madame para dentro do hospital, onde terminaram os procedimentos finais do parto.
