Em julho de 2001, meio acanhadamente, surgia o Blog do Sena. Naquela época, blog era algo desconhecido pela imensa maioria da opinião pública. Era um brinquedo de uma minoria supostamente esclarecida e antenada com as novidades do mundo high-tech.
Eram poucos os posts e, não raro, semanas sem atualização. Basta lembrar que o episódio mais marcante daquele ano de 2001, que inclusive chamou a atenção da opinião pública também para a capacidade dos blogs de disseminar informação em momentos de crise, foi totalmente ignorado pelo Blog do Sena. Não houve aqui uma linha sobre os atentados nos EUA em 11 de setembro.
O blog inicialmente era hospedado no serviço Blogspot. À medida que este tenaz blogueiro foi aprimorando seus conhecimentos em HTML e demais recursos de publicação web, as mudanças foram ocorrendo: logo ele foi “acoplado” ao antigo site hospedado no Geocities (que depois foi migrado para o hpG), ganhou negrito e itálico nos textos (por incrível que pareça, algo complicado de fazer naquela era romântica e leiga) e imagens e ilustrações.
Aos poucos o blog foi ganhando audiência e repercussão. Teve publicações audaciosas e polêmicas (algumas delas quase custaram o emprego do blogueiro). Engajou-se em campanhas políticas, expôs de maneira nua e crua o cotidiano, os dilemas e os problemas pessoais vividos pelo blogueiro. Fez sucesso e trouxe fama para este até então desconhecido jornalista.
O blog, juntamente com todo o site do Alexandre Sena, foi pioneiro em muitas coisas que hoje são triviais na Internet, mas que pareciam mágica no início da década passada. Em 2003, quando o YouTube nem existia, já se publicavam aqui vídeos para assistir on-line. Muito antes dos podcasts, o site já trazia sequencias musicais de cerca de uma hora, para download em formato MP3. Antes do Fotolog, já havia no site uma seção para exibir fotos tiradas com câmeras digitais – ainda uma novidade para a maioria naqueles idos de 2003.
O site passou por várias reformulações. Ganhou domínio próprio – alexandresena.jor.br. Mudou o leiaute, algumas seções foram extintas, outras criadas. Mas o blog continuou firme e forte. Em 2006, para desgosto de alguns, parou de abordar assuntos pessoais. Posts anteriores a essa data foram tirados do ar. Em 2007, sofreu um bug no banco de dados e quase tudo publicado naquele ano foi para o éter. Reconstruiu-se a cabana e em 2008 o blog voltou com tudo. Mas, em 2009, entrou em fase de slow-blogging: sem a obrigação da blogagem diária, sem a preocupação de comentar tudo o que acontece, sem a necessidade de rapidez na publicação.
Dizem por aí que os blogs “morreram” com o advento das mídias e redes sociais – na sequência, Fotolog, Orkut, Flickr, YouTube, Twitter, Facebook e Google Plus, só para citar as mais eminentes. É uma “morte” que já dura pelo menos uns sete anos e nunca se completou de fato. Talvez o que morreu tenha sido o modismo e o frisson em torno da mídia blog. Mas ainda é gostoso blogar. Não por acaso, já são dez anos vivendo assim. O Blog do Sena, tal como a vida, continua.