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Sobre o debate de ontem

Seguem minhas rápidas considerações sobre o primeiro debate na TV[bb] entre os presidenciáveis desta eleição, exibido ontem na Band.

Alguns jornalistas reclamam que o debate não teve “emoção”. Acho isso tolice. Debate é para expor ideias e propostas de governo, não necessariamente para haver confrontos e trocas de farpas. Achei o debate de ontem, no plano das ideias, de altíssimo nível.

Embora os marqueteiros e partidários de Dilma Rousseff digam que ela foi muito bem, foi visível o despreparo e o nervosismo da candidata petista na primeira metade do debate. Gaguejava, hesitava, tinha dificuldades de postura diante das câmeras. Dilma cresceu um pouco do meio para o fim do debate, quando teve habilidade em escapar de algumas “armadilhas” de José Serra. O melhor momento foi durante a discussão sobre o programa “Luz Para Todos”, quando Dilma conseguiu mostrar que esse programa lançado no governo Lula era bem diferente de outro programa de expansão de serviços de energia realizado na era FHC.

Já Serra mais uma vez provou que é um candidato[bb] sem carisma. Embora passe uma postura de serenidade e comprometimento quando defende sua proposta de governo, ele deixa transparecer certa arrogância e egolatria nos momentos de embate. Por diversas vezes Serra voltou à ladainha da saúde pública, querendo convencer a todos de que tudo era uma maravilha durante sua gestão frente ao Ministério da Saúde. A ideia dos mutirões da saúde, reiterada por Serra, foi bastante criticada pelos outros candidatos, o que tirou o tucano do sério.

Marina Silva teve desempenho aquém do esperado no debate, parte pelo nervosismo, parte pelo fato de ter dificuldades em moldar o discurso ecológico à necessidade de desenvolvimento do país. Ativistas verdes mais radicais certamente não concordam com a ideia de “conciliação” entre a defesa do meio ambiente e os interesses econômicos da sociedade. Apesar do singelo e simpático poema que ela declamou ao final do debate, Marina não agradou.

A grande sensação do debate foi Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, cuja candidatura era desconhecida por muitos. O octogenário socialista deu um show de humor, tiradas finas e irônicas contra os adversários e contra a própria imprensa: reclamou, por exemplo, que outros candidatos e os jornalistas da Band não faziam perguntas para ele, além de chamar Serra de “hipocondríaco”, por só falar sobre saúde. Plínio de Arruda Sampaio pode não ganhar a eleição de outubro. Mas já virou pop-star no Twitter, onde conquistou espaço na cobiçada lista de trending topics.

Postado por Alexandre Sena on August 6th, 2010 1 Comentário

Só uma coisa a dizer

O grande responsável pela derrota brasileira para a Holanda chama-se FELIPE MELO.

Postado por Alexandre Sena on July 2nd, 2010 2 Comentários

Em ritmo de Copa…

Vai ao ar na sexta-feira, 25 de junho, a edição 98 do Podcast do Alexandre Sena. O tema, claro, é a Copa do Mundo da África do Sul. Falarei dos resultados na primeira fase, das seleções com mais chances de levantar a taça e das polêmicas deste campeonato – inclusive a briga entre Dunga e a Rede Globo. Stay tuned!

Postado por Alexandre Sena on June 21st, 2010 Comente!

Para não deixar o blog parado…

Numa semana muito triste para o rock’n'roll, com as mortes dos ex-vocalistas do Black Sabbath e do Garotos da Rua, tivemos ainda a lembrança dos trinta anos do suicídio de Ian Curtis, o líder da lendária Joy Division.

Como homenagem a Curtis, Dio e Bebeco Garcia, trago este vídeo produzido pela BBC, a partir de uma gravação de Love Will Tear Us Apart, de 1979, com Curtis à frente do Joy Division.

Postado por Alexandre Sena on May 20th, 2010 1 Comentário

Lei da Anistia

Um rápido comentário sobre a Lei da Anistia, cujos princípios foram mantidos em julgamento ontem no Supremo Tribunal Federal: parece que trinta anos apagam a memória de muita gente. A anistia de 1979 foi ampla, geral e irrestrita.

Longe de mim concordar com os abusos praticados pelo aparato estatal do regime militar, mas a Lei da Anistia foi negociada com a sociedade civil. Ficou elas por elas: guerrilheiros de esquerda não seriam mais investigados, assim como os integrantes da repressão estatal. Foi graças a esse acordo que permitiu-se a volta, ao Brasil, de Luís Carlos Prestes, Miguel Arraes, Leonel Brizola e outros banidos pelo golpe de 1964.

Tentar remexer nessa cicatriz foi perda de tempo. A História já julgou o regime militar. Não houve vencedores, nem à direita, nem à esquerda. O Brasil perdeu três décadas, entre 1964 e 1994, envolvido em obscurantismos políticos e descalabros econômicos. É hora de olhar para frente.

Postado por Alexandre Sena on April 30th, 2010 Comente!

Intervenção Já!

Salvo se o Ministério Público conseguir impedir na Justiça, amanhã Brasília viverá mais um momento surreal na sua política: a Câmara Legislativa do Distrito Federal, totalmente contaminada pelo escândalo da Caixa de Pandora, ou Mensalão do DEM, deve escolher por eleição indireta um novo governador para completar o mandato de José Roberto Arruda.

O favorito na disputa é Wilson Lima, ex-aliado de Arruda, que ocupava a presidência da C?mara Legislativa após a renúncia de Leonardo Prudente, o deputado flagrado enfiando dinheiro nas meias. Lima assumiu interinamente o Governo do Distrito Federal (GDF) após a prisão de Arruda e a renúncia do vice-governador Paulo Octavio.

Após uma mudança casuística na Lei Orgânica do Distrito Federal, cujo dispositivo que tratava da sucessão do governo em caso de impedimento dos titulares era considerado inconstitucional, estabeleceu-se a necessidade de eleição indireta para escolher um “governador-tampão” para concluir o mandato interrompido.

O que torna essa eleição indireta um prato indigesto para a opinião pública é o fato de muitos dos envolvidos no escândalo da Caixa de Pandora ainda ocuparem o cargo de deputado distrital e, por tanto, formarem o colégio eleitoral que elegerá o governador-tampão.

Como bem lembrou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a pergunta é: que governo o Distrito Federal terá com esses “eleitores”? Corruptos pilhados no escândalo, como Eurides Britto, Geraldo Naves e Odilon Aires, vão ter direito a escolher o chefe do Executivo local.

Para completar o absurdo, dois candidatos a governador nessa eleição indireta, egressos do governo Arruda, estão atolados de irregularidades até o pescoço: Aguinaldo de Jesus (ex-secretário de Esportes) e Rogério Rosso (ex-presidente da Codeplan, estatal que já foi comandada também por Durval Barbosa, principal operador do mensalão).

A princípio, o escolhido pela Câmara Legislativa vai governar o Distrito Federal até 1º de janeiro de 2011, quando toma posse o governador escolhido nas eleição direta de outubro. Mas o eleito nessa eleição viciada corre o risco de ocupar o cargo por apenas alguns dias. Pois deve ocorrer nas próximas semanas a apreciação, pelo STF, do pedido de intervenção federal no Distrito Federal, feito por Roberto Gurgel, com base nas evidências de corrupção mostradas pela Operação Caixa de Pandora.

Gurgel tem sido duro na defesa da necessidade de intervenção: para ele, o esquema de corrupção está entranhado em todas as esferas do poder público em Brasília, e só com um interventor federal no Executivo, e com a destituição do Legislativo local, é que poderá ser feito um saneamento na máquina pública brasiliense. Como a medida, se for tomada, será inédita, há toda uma discussão jurídica sobre como seria procedida essa intervenção.

Pelo que rege a Constituição, o interventor seria indicado pelo presidente da República, com prazo determinado, e assumiria as funções executivas normais de um governador. O grande senão é que nesse período, o Congresso Nacional fica impedido de apreciar emendas constitucionais. E com projetos importantes em votação, o Palácio do Planalto é resistente à ideia.

Fora isso, ainda há dúvidas sobre como seria a intervenção no Legislativo: segundo uma das correntes defendidas, os deputados distritais perderiam o mandato, e os trabalhos legislativos do Distrito Federal passariam a ser realizados por uma comissão especial do Senado. Tal como ocorria até 1991, quando foi implantada a Câmara Legislativa do DF.

O dito “setor produtivo” do Distrito Federal (comerciantes, industriais, empreiteiros e donos de empresa com negócios milionàrios junto ao GDF) se aliou à OAB-DF, à imprensa local e aos políticos oportunistas da região para rechaçar a ideia da intervenção. Vendem a falsa ideia de que a intervenção federal é “um golpe” contra a autonomia política de Brasília, que vai gerar desemprego, paralisação de obras públicas, etc., etc. A imprensa (Correio Braziliense à frente) quer passar a idéia de “normalidade”, de que as instituições do DF podem resolver por si só a crise política. Pura balela. O medo dessa turma é perder negócios milionários com o setor público ou, pior, serem investigados por eventuais irregularidades. Ainda há muita podridão que não foi revelada, e quem tem culpa no cartório já botou as barbinhas de molho.

A população mais esclarecida de Brasília torce, e muito, pela intervenção federal. Inclusive este blogueiro que vos escreve. Somente com um agente não-político à frente do GDF pelos próximos meses é que haverá a real possibilidade de um saneamento nas instituições governamentais de Brasília. É com esse saneamento moral, feito de maneira ética e com resultados perenes, que poderemos ficar livres de Arruda, Roriz e outros males que vêm destruindo o Distrito Federal nos últimos 22 anos.

Postado por Alexandre Sena on April 16th, 2010 1 Comentário

Chuvas no Rio de Janeiro… em 1966

Pelas imagens do vídeo abaixo (sem som e sem edição), percebe-se que em 44 anos, o sofrimento da população desassistida só fez aumentar…

Segundo informações postadas no YouTube, “em janeiro de 1966, logo depois de Walter Clark ter assumido a direção-geral da TV[bb] Globo, o Rio de Janeiro sofreu uma das piores enchentes da sua história. Cinco dias de temporal deixaram mais de 100 mortos e 20 mil desabrigados. As equipes da Globo foram para as ruas carregando câmeras Auricom e captando as imagens da tragédia e da dor dos cariocas. Motoqueiros levavam para a emissora os filmes, que imediatamente eram revelados e exibidos”.

Postado por Alexandre Sena on April 13th, 2010 Comente!

 

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